O vaso autoirrigável funciona bem para planta que gosta de terra úmida o tempo todo, como hortelã e salsinha, e atrapalha a que precisa secar entre uma rega e outra, como suculenta, alecrim e espada-de-são-jorge. Entre o comprado e o de garrafa PET, o que muda é o tamanho do reservatório e o acabamento. O jeito de funcionar é o mesmo.
Aqui em casa tenho um de cada rodando há meses, com um vaso comum de pratinho ao lado para comparar. Um deu certo de primeira, o outro pediu ajuste, e uma pimenta morreu com o reservatório cheio.
Como a água sobe até a raiz
Todo vaso autoirrigável tem duas partes. Embaixo fica um reservatório de água. Em cima fica a terra, separada da água por uma divisória com furos. Alguma coisa liga as duas: pode ser um pavio de tecido ou de barbante, pode ser um cone da própria terra que desce pela divisória e encosta na água.
Conforme a terra seca, ela puxa água de baixo, como um pano com a ponta dentro de uma bacia vai molhando até em cima. A terra do vaso fica sempre um pouco úmida, e daí vêm a vantagem e o problema.
Os comprados costumam ter um tubo ou uma abertura na lateral para encher o reservatório sem molhar a terra, e alguns têm uma boia que mostra o nível da água. O de garrafa PET é a mesma ideia feita em casa: a parte de cima da garrafa entra de cabeça para baixo na parte de baixo, e um barbante passa pela tampa furada até a água.
Os três lado a lado
| O que comparar | Vaso autoirrigável comprado | Garrafa PET com barbante | Vaso comum com pratinho |
|---|---|---|---|
| Como a água chega | Pavio ou cone de terra, reservatório fechado | Barbante pela tampa, reservatório à vista | Rega por cima; o pratinho só guarda o que escorre |
| Como fica a terra | Úmida por igual, o tempo todo | Mais úmida perto do barbante, mais seca em cima | Molha e seca em ciclos |
| Quanto aguenta sem ninguém (aqui em casa, no calor) | Uns cinco dias, no modelo que tenho | Uns três dias, porque cabe pouca água | O tempo de a terra secar até o fundo |
| Tamanho | Vários, até jardineira | Pequeno, para muda ou tempero de folha | Qualquer um |
| Trabalho extra | Lavar o reservatório | Trocar o barbante, lavar e encapar a garrafa | Esvaziar o pratinho depois da rega |
| Onde falha | Planta que pede terra seca | Barbante sintético ou que saiu da terra; limo na garrafa transparente | Pratinho cheio esquecido, que encharca a raiz |
Para quem passa o dia fora e quer um tempero de folha sempre pronto, eu ficaria com o comprado. O de garrafa serve para testar a ideia com uma muda antes de gastar. E o vaso comum continua sendo o melhor para a maioria das plantas da casa, desde que o pratinho não fique cheio.
Quais plantas aceitam terra sempre úmida
A pergunta certa antes de comprar é se a planta gosta de terra que nunca seca. Se a resposta for não, o reservatório vira um pratinho cheio permanente.
Vão bem
- Hortelã, que já pede terra úmida e um vaso só dela, como contei em hortelã em vaso.
- Salsinha e cebolinha, que soltam folha mais fina e amarelada quando a terra seca de vez.
- Coentro, que sobe flor mais cedo quando passa sede.
- Samambaia, que derruba folhinhas quando a terra seca por completo.
Sofrem
- Suculentas e planta-jade, que guardam água na folha e apodrecem pela base.
- Espada-de-são-jorge e zamioculca, pelo mesmo motivo.
- Alecrim, que quer terra seca no fundo entre as regas.
- Pimenta, pelo menos na minha varanda, que só pega sol de manhã.
O manjericão fica no meio do caminho. Ele gosta de terra úmida, mas o meu terceiro pé morreu de raiz encharcada. Aqui ele continua no vaso de barro, e por isso não sei dizer como ele iria no reservatório.
O que testei aqui em casa
Salsinha no vaso comprado
Comprei na floricultura do bairro um vaso autoirrigável retangular de plástico, do tamanho de uma caixa de sapato, e semeei salsinha nele. Até as mudinhas firmarem, deixei o reservatório vazio e reguei por cima com regador de bico fino. Terra recém-mexida fica solta e puxa mal a água de baixo, e semente precisa da superfície úmida.
Com as mudas firmes, passei a encher só o reservatório. A salsinha cresceu mais por igual do que a do vaso comum, que tinha dias de terra seca em cima quando eu chegava tarde. No calor, o reservatório esvazia em uns cinco dias. Em semana de chuva quase não baixa, e aí eu nem encho.
Hortelã na garrafa PET
Na última divisão da touceira de hortelã sobrou uma muda, que foi para uma garrafa PET de 2 litros cortada um pouco acima do meio, com barbante de algodão passando pela tampa. Ela fica no parapeito da janela da cozinha.
Pegou sem drama, mas a água de baixo acaba em uns três dias. Na segunda semana, o fundo da garrafa ficou verde de limo, porque a luz atravessa o plástico. Encapei a parte de baixo com um pedaço de saco de lixo preto preso com elástico, e o limo parou.
A pimenta que não aguentou
Das duas vezes que tentei pimenta, a segunda foi num vaso autoirrigável, achando que a rega constante ia resolver o que deu errado na primeira. As folhas de baixo amarelaram uma atrás da outra. Quando tirei a planta, as raízes do fundo, as mais perto da água, estavam escuras e moles. A pimenta precisava de terra secando um pouco entre as regas, e esse vaso não deixa.
Cuidados que a embalagem não conta
- Deixe o reservatório esvaziar. Quando a água acaba, espero um dia antes de encher de novo. Nesse intervalo a terra do fundo recebe ar.
- Lave o reservatório uma vez por mês. Levo o vaso ao tanque, tiro a parte de cima e esfrego o fundo. No mês em que esqueci, a água saiu com cheiro de coisa parada.
- Use terra solta. Terra vegetal pura compacta, vira lama perto da água e para de puxar. Substrato com um pouco de areia funciona melhor.
- Barbante só de algodão. O sintético não puxa água, coisa que descobri montando pavio para viajar, no checklist de rega para viagem.
- Confira a terra mesmo assim. O palito espetado até o fundo, do teste que explico em como saber a hora de regar, mostra se o fundo está molhado demais ou se o pavio parou de puxar.
- Na varanda que toma chuva, olhe o furo de transbordo. A água da chuva entra por cima e o reservatório enche sozinho. Se o furo estiver entupido, a terra fica submersa.
Como montar o de garrafa PET
- Lave uma garrafa PET de 2 litros e corte um pouco acima do meio.
- Fure a tampa com prego aquecido no fogão.
- Passe um barbante de algodão pelo furo, comprido o bastante para tocar o fundo da parte de baixo e subir até o meio da terra.
- Molhe o barbante antes de montar. Seco, ele demora a começar a puxar.
- Encaixe a parte de cima de cabeça para baixo na de baixo, com a tampa virada para a água.
- Encha com terra solta, plante a muda e regue por cima na primeira vez.
- Ponha água embaixo até uns dois dedos abaixo da tampa, sem que a tampa fique mergulhada.
- Encape a parte de baixo com plástico escuro para não criar limo.
Nas duas primeiras semanas, olhe todo dia se a terra de cima continua úmida. Se secar com água no fundo, o barbante saiu do lugar ou não é de algodão.
Perguntas frequentes
Como funciona o vaso autoirrigável?
Um reservatório embaixo guarda a água, e um pavio ou um cone de terra leva essa água até a raiz conforme a terra seca. A terra fica úmida o tempo todo.
Quais plantas não vão bem em vaso autoirrigável?
As que precisam de terra seca entre as regas: suculentas, espada-de-são-jorge, zamioculca, alecrim e, aqui em casa, a pimenta.
De quanto em quanto tempo encher o reservatório?
Quando ele esvaziar, depois de um dia vazio. O intervalo depende do tamanho do reservatório, do calor e da planta. O meu, com salsinha, esvazia em uns cinco dias no calor.
Dá para fazer vaso autoirrigável com garrafa PET?
Dá, com barbante de algodão passando pela tampa. Ele segura pouca água e serve melhor para muda ou tempero de folha pequeno.
Vaso autoirrigável junta mosquito?
Terra úmida o tempo todo atrai o mosquitinho preto que nasce na terra. Cobrir a superfície com areia grossa ajuda, do jeito que contei no texto sobre o mosquitinho na terra do vaso. Mantenha também o reservatório tampado e lavado.
Antes de comprar o vaso, monte uma garrafa PET com um tempero de folha que você já tem e acompanhe por duas semanas. Se a terra de cima ficar úmida e sem cheiro, aquela planta vai bem no autoirrigável.
