Para vaso de apartamento, a base que funciona é o substrato pronto. A terra vegetal entra misturada a ele, nunca sozinha, e o húmus de minhoca é adubo: vai em pouca quantidade, na mistura ou por cima da terra.
Aprendi isso com um pé de pimenta. Comprei um saco de terra vegetal, enchi um vaso de plástico de 20 centímetros só com ela e plantei a muda. Em umas três semanas a terra tinha virado um bloco duro, descolado da parede do vaso. A água da rega escorria pela fresta e saía no furo sem molhar o meio do torrão. A pimenta parou de crescer e eu desisti dela.
Os sacos que aparecem na floricultura
Na floricultura do bairro aqui de casa, os sacos ficam todos juntos no chão, com nomes parecidos e cor de terra igual. A tabela resume o que cada um faz no vaso.
| Saco | O que costuma ter | Para que serve | Quando não usar puro |
|---|---|---|---|
| Terra vegetal | Terra escura com resto de folha e matéria orgânica | Dar corpo à mistura e segurar umidade | Em qualquer vaso: sozinha, ela compacta |
| Substrato | Mistura pronta e leve, muitas vezes com casca de pinus, fibra de coco ou vermiculita | Base do vaso, porque deixa ar e água passarem | Pode ir puro em folhagem; para tempero, rende mais com um pouco de terra vegetal |
| Terra adubada | Terra vegetal já misturada com algum adubo | Canteiro e vaso grande | Vaso pequeno, onde o adubo concentrado fica perto demais da raiz |
| Húmus de minhoca | Material escuro e fino feito pelas minhocas | Adubo leve, que não junta mosquinha | Sempre: puro, ele retém água demais e endurece |
| Condicionador de solo | Material orgânico para misturar em terra pobre | Melhorar uma terra que já existe | Sempre: ele é complemento e precisa da embalagem para saber a dose |
O nome na frente do saco ajuda pouco. Duas marcas de “substrato” podem ser bem diferentes, então o que eu leio é a composição no verso.
Terra vegetal: barata, pesada e boa só em mistura
A terra vegetal é o saco mais barato e o que mais parece “terra de verdade”. Por isso muita gente começa por ela, como eu comecei.
No canteiro, a chuva, as raízes e os bichos da terra mexem nela o tempo todo. No vaso ninguém mexe. A cada rega as partículas finas descem e se encaixam, e o ar que a raiz precisa vai sumindo. Em vaso pequeno isso acontece rápido.
Os sinais de que a terra do vaso compactou:
- a água fica parada em cima por alguns segundos antes de entrar;
- aparece uma fresta entre a terra e a parede do vaso;
- o palito de churrasco entra com esforço;
- o vaso continua pesado dias depois da rega.
Hoje a terra vegetal entra nos meus vasos como um terço da mistura, no máximo, e só nos temperos. Nas folhagens da sala eu nem uso.
Substrato pronto: leve, mas é preciso ler o verso
O substrato é feito para vaso. Ele é mais leve, mais fofo e deixa a água atravessar. Para quem tem varanda de apartamento, o peso conta: um vaso grande cheio de terra vegetal molhada pesa bem mais que o mesmo vaso com substrato.
O cuidado é que cada saco é de um jeito. Alguns vêm com muita casca de pinus em pedaço grande, que deixa a mistura solta demais para tempero de raiz fina. Outros vêm quase só com fibra de coco, que seca rápido em cima e engana na hora de regar.
Antes de comprar, eu aperto o saco com a mão. Se sinto pedaços duros e grandes, sei que vou precisar misturar alguma coisa mais fina. Em casa, abro, pego um punhado e vejo a cor e a textura. Se tem cheiro azedo ou de coisa estragada, devolvo.
Substrato puro funciona bem na jiboia e nas outras folhagens. Nos temperos eu misturo, porque eles pedem uma terra que segure um pouco mais de água entre as regas, principalmente na varanda que pega o sol da manhã.
Húmus de minhoca: entra como adubo
O húmus é o saco que mais confunde, porque tem cara de terra boa. Ele é fino, escuro, cheiroso. Mas, puro, ele se comporta parecido com a terra vegetal: segura água demais e forma uma massa fechada no vaso.
Eu uso de dois jeitos. No plantio, uma parte pequena dele vai na mistura. Depois, como adubo, coloco duas colheres de sopa por vaso de 20 centímetros e mexo na camada de cima, do jeito que contei no texto sobre os erros com adubo caseiro.
Um saco pequeno de húmus dura meses aqui em casa, mesmo com uns 30 vasos. Se ele está acabando rápido, provavelmente está indo húmus demais.
Três misturas medidas em pote de sorvete
Não tenho balança para terra, então meço tudo em pote de sorvete de 2 litros. Para vaso pequeno, dá para trocar o pote por uma caneca e manter a proporção.
| Para | Mistura | Exemplos aqui de casa |
|---|---|---|
| Tempero | 2 potes de substrato, 1 de terra vegetal e meio de húmus | Cebolinha, salsinha, hortelã |
| Folhagem | 3 potes de substrato e meio de húmus | Jiboia e as plantas da sala |
| Suculenta e tempero de terra seca | 1 pote de substrato e 1 de areia grossa lavada | Suculentas; o alecrim leva uma versão com menos areia |
Faço a mistura num saco de lixo grande aberto no chão da varanda, com jornal por baixo. Viro os potes, misturo com as mãos de luva e só então encho o vaso. Misturar dentro do vaso não funciona: o húmus fica todo em cima e a terra vegetal embola no fundo.
A areia é a mesma de construção que uso para cobrir a terra, lavada antes num balde até a água sair quase limpa. Areia fina de praia ou de parquinho não serve, porque fecha a terra em vez de abrir.
A camada do fundo continua sendo a mesma em todos os vasos. Expliquei qual material uso e por quê no texto sobre o que colocar no fundo do vaso.
O teste do punhado antes de plantar
Antes de pôr a muda, eu molho um pouco da mistura até ficar úmida, sem pingar, e aperto um punhado na mão.
- Se forma uma bola dura que não desmancha quando cutuco com o dedo, a mistura está pesada. Acrescento substrato.
- Se forma uma bola que se desfaz com um toque, está boa.
- Se não forma bola nenhuma e escorre entre os dedos, está solta demais para tempero. Acrescento um pouco de terra vegetal.
Depois de encher o vaso, faço uma rega lenta e olho o furo. A água deve começar a sair em poucos segundos. Se demora muito ou se fica uma poça em cima, desfaço e corrijo agora, que é mais fácil do que salvar o vaso depois. Foi uma poça dessas, ignorada, que começou a história do vaso encharcado.
A mistura também muda o ritmo da rega. Terra com mais substrato seca mais rápido, então os primeiros dias pedem o teste do dedo todo dia até eu pegar o ritmo daquele vaso.
Como guardar o saco aberto
Quase nunca uso um saco inteiro de uma vez. O que sobra eu dobro na boca, prendo com dois prendedores de roupa e guardo embaixo do tanque, na área de serviço, longe da chuva.
Saco aberto na varanda pega água e, com o calor daqui, cria mofo e mosquinha antes de eu precisar dele de novo. Se o substrato guardado aparece com uma penugem branca, espalho num jornal ao sol da manhã por um dia antes de usar.
Perguntas frequentes
Posso usar terra do quintal no vaso?
Eu não usaria sozinha. Terra de chão compacta no vaso como a terra vegetal e pode vir com semente de mato e bicho. Se for usar, trate como a terra vegetal: no máximo um terço da mistura.
Terra vegetal e substrato são a mesma coisa?
Não. A terra vegetal é mais pesada e fina e fecha com as regas. O substrato é uma mistura pronta e mais leve, feita para vaso. Para apartamento, o substrato é a base.
Húmus de minhoca pode ser usado puro?
Como terra do vaso, não. Puro, ele segura água demais e endurece. Use como parte pequena da mistura ou como adubo, em colheres, por cima da terra.
De quanto em quanto tempo trocar a terra do vaso?
Aqui eu troco quando a terra fica dura, quando a água passa direto sem molhar ou quando a planta já não cabe. Sem esses sinais, só completo a camada de cima com mistura nova.
Na próxima ida à floricultura, leve um saco de substrato e um pequeno de húmus. Se já tem terra vegetal em casa, faça a mistura de tempero da tabela e teste o punhado antes de plantar.
