Vaso de manjericão ao lado de um prato com borra de café seca e um pote com casca de ovo moída

Adubo caseiro para plantas em vaso: erros que eu já cometi

Casca de banana, borra de café e casca de ovo jogadas cruas em cima da terra do vaso dão mofo, cheiro e mosquinha muito antes de alimentar a planta. Resto de cozinha só vira adubo depois que se desfaz. Num vaso de 20 centímetros isso demora, e acontece no meio da sala.

Eu cometi os seis erros abaixo, quase todos no mesmo ano. Dá pra aproveitar o que sobra da cozinha, desde que vá seco, em pouca quantidade e misturado na terra. Em cada erro eu conto o que apareceu no vaso e como faço hoje.

Erro 1: casca de banana crua em cima da terra

Piquei casca de banana e espalhei por cima da terra de quatro vasos da sala. Em uns cinco dias os pedaços estavam pretos, moles e cobertos por uma penugem branca. Na semana seguinte vieram as mosquinhas pretas, que põem ovo justamente em terra úmida com resto de comida. Essa história inteira está no texto sobre o mosquitinho na terra do vaso.

A casca fresca é quase toda água. Em cima da terra ela apodrece devagar e a planta não aproveita nada enquanto isso.

Hoje eu deixo a casca secar na varanda até ficar dura e quebradiça. Com o sol da manhã daqui, leva uns três dias. Depois pico bem miúdo com a tesoura e enterro uma colher de sopa a dois dedos de profundidade, perto da borda do vaso, longe do caule. Faço isso só nos vasos de fora. Dentro de casa, casca de banana não entra mais.

Erro 2: borra de café em camada grossa

Durante umas duas semanas eu virei o filtro de café inteiro, ainda molhado, no vaso da jiboia. A borra secou por cima e virou uma crosta dura, da espessura de uma moeda. A água da rega batia nela e escorria pela lateral do vaso, sem molhar o meio. Quando levantei a crosta com um garfo, por baixo tinha mofo esverdeado.

O jeito que funciona aqui tem três partes:

  • espalhar a borra num prato e deixar secar por um ou dois dias;
  • usar uma colher de sopa rasa para um vaso de 20 centímetros;
  • misturar com o garfo no primeiro dedo de terra, sem deixar por cima.

Repito uma vez por mês, no máximo. O resto da borra da semana vai pro lixo, porque a casa produz muito mais café do que 30 vasos conseguem receber.

Erro 3: casca de ovo em pedaços grandes

Eu quebrava a casca com a mão e jogava no vaso do manjericão. Oito meses depois, na troca de terra, os pedaços saíram inteiros, do mesmo tamanho. Só tinham mudado de cor.

Casca de ovo se desfaz muito devagar, e em pedaço grande a planta praticamente não aproveita. Pior: se ela vai pro vaso com resto de clara grudado, cheira mal e chama formiga.

Agora eu lavo as cascas, deixo secar no escorredor e junto num pote. Quando o pote enche, passo uma garrafa de vidro por cima, como rolo de massa, até virar uma farinha grossa. Vai uma colher de chá por vaso, misturada na terra. Mesmo em pó ela é lenta, então eu trato como complemento e não espero ver resultado no mês seguinte.

Erro 4: água de cozimento com sal

Li que água de cozinhar legume servia para regar e passei a guardar a do macarrão, já fria, para a cebolinha. Era água com sal. Em umas duas semanas as pontas das folhas ficaram queimadas e a terra ganhou uma crosta branca e fina por cima.

Sal no vaso não tem para onde ir. Ele fica na terra e se acumula a cada rega.

Para consertar, levei o vaso ao tanque e reguei com água limpa até escorrer bastante pelo furo, três vezes seguidas, com uns minutos de intervalo. Raspei a camada branca com uma colher e completei com terra nova. A cebolinha voltou a soltar folha boa em poucas semanas.

Só uso água de cozimento quando ela não levou sal, óleo nem tempero, e sempre fria. Se eu não lembro se salguei, ela vai pra pia.

Erro 5: adubar planta fraca ou recém-trocada de vaso

Planta com folha amarela me parecia planta com fome. Então eu adubava. Em dois casos a terra estava encharcada, a raiz já sofria e o adubo só piorou.

Antes de pensar em adubo, eu passo pelas perguntas do texto sobre folhas amarelas na planta. Na maioria das vezes o motivo é água ou luz.

Três regras que eu sigo hoje:

  1. Depois de trocar a planta de vaso, espero de três a quatro semanas para adubar. A terra nova já vem com alimento e a raiz mexida precisa de sossego.
  2. Adubo só planta que está crescendo, com folha nova aparecendo.
  3. Nunca adubo com a terra seca. Rego na véspera e adubo no dia seguinte.

Erro 6: adubar toda semana para a planta crescer mais rápido

No auge da empolgação eu colocava alguma coisa nos vasos todo fim de semana: borra num, casca no outro, adubo líquido por cima. O manjericão respondeu com folhas de borda marrom e seca, e a terra ficou com aquela crosta esbranquiçada de novo.

Vaso é um espaço fechado. O que sobra não escorre pro chão como num canteiro, fica ali concentrado em volta da raiz.

Meu ritmo agora é uma adubação por mês nos temperos e uma a cada dois meses nas folhagens da sala. Faço no primeiro sábado do mês para não perder a conta. Se a planta está parada, eu pulo.

Cada resto de cozinha, o sinal de erro e o jeito que funciona

Resto Erro comum O que aparece no vaso Como eu uso hoje
Casca de banana Crua, por cima da terra Mofo branco, cheiro, mosquinha Seca, picada, enterrada a dois dedos, só na varanda
Borra de café Molhada, em camada grossa Crosta dura, água que escorre pela lateral Seca, uma colher de sopa rasa misturada na terra
Casca de ovo Pedaço grande, sem lavar Fica inteira por meses, atrai formiga Lavada, seca, moída, uma colher de chá
Água de cozimento Com sal ou óleo Ponta queimada, crosta branca fina Só sem sal e fria; na dúvida, não uso

Adubo caseiro, húmus ou adubo de floricultura

O adubo caseiro custa zero e dá trabalho. Precisa secar, picar, moer, medir. A quantidade de alimento que ele entrega é pequena e ninguém sabe ao certo quanto, porque cada casca é uma casca. Eu uso como reforço nos vasos da varanda e paro por aí.

O húmus de minhoca foi o que resolveu dentro de casa. Vem pronto no saco, tem cheiro de terra molhada e não junta mosquinha. Coloco duas colheres de sopa por vaso de 20 centímetros, misturo na camada de cima e rego. Se eu tivesse que escolher um só para apartamento, seria ele.

O adubo de floricultura, granulado ou líquido, é o mais forte dos três e o mais fácil de exagerar. Sigo a dose do rótulo e, nos vasos pequenos, uso um pouco menos. Nunca misturo no mesmo mês com o caseiro.

Tipo Trabalho Risco dentro de casa Onde eu uso
Resto de cozinha seco Alto Mofo e mosquinha se for úmido ou demais Vasos da varanda
Húmus de minhoca Baixo Quase nenhum Todos os vasos, principalmente os da sala
Adubo de floricultura Baixo Queimar a raiz com dose alta Temperos em fase de crescimento, conforme o rótulo

Nenhum deles conserta rega errada. Planta que recebe água na hora certa, pelo teste do dedo, aproveita muito melhor qualquer adubo.

Perguntas frequentes

Posso colocar casca de banana direto na terra?

Crua e por cima, eu não recomendo em vaso. Ela apodrece, mofa e atrai mosquinha. Seca, picada e enterrada em pouca quantidade, funciona melhor, de preferência em vaso que fica do lado de fora.

Borra de café serve de adubo?

Serve em dose pequena: seca e misturada na terra, uma colher de sopa rasa por vaso médio, uma vez por mês. Em camada grossa ela forma uma crosta que não deixa a água entrar.

Casca de ovo precisa ser triturada?

Precisa. Em pedaço grande ela passa meses na terra sem se desfazer. Lave, seque e moa até virar uma farinha grossa.

De quanto em quanto tempo adubar planta em vaso?

Aqui em casa, tempero recebe adubo uma vez por mês e folhagem de sala a cada dois meses, sempre com a planta crescendo. Com adubo comprado, vale o intervalo do rótulo.

Adubo caseiro substitui o comprado?

Nos meus vasos, não substituiu. Ele ajuda, mas entrega pouco e de forma irregular. Húmus de minhoca ou um adubo de floricultura na dose certa dão resultado mais previsível.

Se hoje tem casca ou borra por cima da terra de algum vaso seu, tire com uma colher, junto com o primeiro dedo de terra, e complete com terra seca. Deixe o vaso sem nada por duas semanas e recomece pelo húmus, duas colheres misturadas na superfície.