Regador, balde tampado e jarra de água ao lado de vasos de temperos numa varanda de apartamento

Água da torneira, filtrada ou da chuva: qual usar na rega

Para quase todos os vasos de apartamento, a água da torneira serve do jeito que sai. O que muda a escolha é o que cada água deixa na terra com o passar dos meses: a da torneira deixa um pouco de mineral a cada rega, a da chuva e a do ar-condicionado quase nada, e a da cozinha deixa resto de comida.

Encher o regador à noite e usar a água na manhã seguinte tira o cheiro de cloro, e eu mantenho esse hábito porque ele cabe na rotina. Ele não acaba com a crosta branca do vaso de barro, porque o mineral que forma a crosta fica na água depois que o cheiro vai embora.

Abaixo estão as águas que eu tenho à mão em casa, comparadas pelo que fazem no vaso, e as poucas que não entram de jeito nenhum.

As águas de casa lado a lado

Água O que deixa na terra Onde eu uso Cuidado
Torneira na hora Um pouco de mineral a cada rega Qualquer vaso, quando esqueço de encher o regador Lavar a terra quando aparecer crosta
Torneira do dia anterior O mesmo mineral, sem o cheiro de cloro É a da rotina, em todos os vasos Regador guardado na sombra
Filtrada Depende do filtro; parte do mineral continua Bandeja de semente, quando sobra na jarra Não compensa gastar só para as plantas
Chuva recolhida Quase nenhum mineral, mas pega a sujeira do caminho Lavar a terra dos vasos com crosta Usar em poucos dias, com tampa
Ar-condicionado Quase nenhum mineral Folhagens de dentro de casa Descartar a água dos dias da limpeza do aparelho
Cozimento sem sal, fria Amido e resto de comida Só nos vasos da varanda, de vez em quando Dentro de casa atrai mosquinha
Cozimento com sal, água com sabão ou sanitária Sal e produto de limpeza Nenhum Nunca

A tabela não fala de quanto regar. Isso continua sendo decidido pela terra, com o dedo ou o palito, como mostrei no texto sobre a hora certa de regar. Trocar a água não corrige rega fora de hora.

Torneira na hora ou de um dia para o outro

A ideia de deixar a água descansar vem do cloro, que a companhia de água põe para a água chegar limpa na torneira. Em regador aberto, o cheiro some até a manhã seguinte. Nos meus vasos eu nunca vi diferença de folha entre a planta regada com água da torneira na hora e a regada com a água do dia anterior.

Continuo enchendo o regador à noite por outro motivo. Rego cedo, antes de sair, e com o regador cheio eu não perco tempo esperando a torneira do tanque. É um hábito de horário, e ele não muda nada na planta.

O ponto fraco da torneira é outro. Cada rega deixa um pouco de mineral na terra, e a água que evapora pela superfície e pelas paredes do vaso de barro leva só a água, deixando o mineral para trás. Com o tempo isso vira a crosta branca e dura na borda do vaso e em cima da terra. Foi o que aconteceu com o vaso de barro do manjericão, e a diferença entre essa crosta e o mofo está explicada em mofo branco na terra do vaso.

A saída para a crosta não é trocar de água. É regar até a água sair pelo furo, para o mineral descer junto, e lavar a terra no tanque de vez em quando: deixo a água correr pelo vaso por alguns minutos, até sair clara, e só devolvo o vaso ao lugar quando parar de pingar.

Água filtrada: quando vale gastar

O filtro de casa tira gosto e cheiro da água. Parte do mineral que forma a crosta passa por ele, então a filtrada não resolve sozinha o problema da borda branca. Varia muito de um filtro para outro, e eu não tenho como medir.

Uso a filtrada em um caso só: na bandeja de semente, quando sobra água na jarra antes de eu encher de novo. A semente pede pouca água, e o borrifador cheio com o resto da jarra dá conta. Para os vasos grandes eu não gastaria filtro nem compraria água de garrafa.

Água da chuva recolhida na varanda

Na época de chuva eu já deixei uma bacia na beirada da varanda para recolher água. As primeiras chuvas vieram com folha seca e uma película escura de fuligem do prédio e da rua, e a água ficou com cara de lavagem de calçada. Passei a jogar fora a água dos primeiros minutos e só aproveitar o que cai depois.

A água da chuva quase não tem mineral, e por isso é a que eu uso para lavar a terra dos vasos que já criaram crosta. Ela leva o sal para fora pelo furo sem trazer mais.

O cuidado é com o tempo de guarda. Numa semana em que deixei o balde destampado no canto da área de serviço, apareceram larvinhas se mexendo na água. Joguei tudo no ralo. Hoje guardo com tampa e uso em poucos dias, e quando a chuva para por muito tempo volto para a torneira sem drama.

Água do ar-condicionado

A água que pinga da mangueirinha do ar-condicionado vem do ar do quarto, que vira gota na serpentina do aparelho. Ela sai praticamente sem mineral, parecida com a da chuva, e no calor rende um balde cheio em pouco tempo.

Uso nas folhagens de dentro de casa, que são as que mais mostram ponta marrom quando a terra junta sal. Duas regras eu sigo. A primeira é descartar a água dos dias em que o aparelho foi limpo, porque pode descer produto junto. A segunda é olhar a cor e o cheiro: se a água sair turva ou com cheiro de coisa parada, ela vai para o ralo, porque a bandeja do aparelho estava suja.

Nos temperos que vão para a panela eu prefiro a torneira. A água do aparelho passa por peças que eu não vejo, e no tempero não quero arriscar.

Água da cozinha, água gelada e água que ficou no sol

Água de cozinhar e de lavar arroz

Água de cozinhar legume ou ovo, sem sal e já fria, pode ir para os vasos da varanda de vez em quando. Ela leva amido e pedacinho de comida. Dentro de casa, terra com resto de comida e pouca ventilação é o que chama mosquinha, a mesma história do mosquitinho na terra do vaso. Por isso ela fica só do lado de fora e não vira rotina.

A água do macarrão com sal está fora. Já reguei a cebolinha com ela por duas semanas e precisei lavar a terra depois, o caso conto em adubo caseiro: erros que eu já cometi.

Água gelada

Água tirada da geladeira, num dia quente, cai fria demais na raiz de folhagem que gosta de calor. Quando só tenho a garrafa da geladeira, encho o regador e espero ela chegar à temperatura da casa. No dia a dia, a da torneira já sai na temperatura certa.

Regador esquecido no sol

Esse foi um erro meu. Deixei o regador de plástico cheio na beirada da varanda e fui regar no fim da manhã, depois que o sol tinha batido nele por horas. A primeira água que saiu estava quente na mão. Joguei aquela parte fora e reguei com o resto. Hoje o regador mora no canto perto da porta, onde o sol não chega, e eu testo a água no pulso antes de regar quando ele passou o dia fora.

O que nunca vai para o vaso

  • Água com sal de qualquer tipo, inclusive a do macarrão e a de descongelar peixe.
  • Água com sabão de lavar roupa ou louça que sobrou do balde.
  • Água com sanitária ou com qualquer produto de limpeza, inclusive a do ar-condicionado no dia da limpeza.
  • Água de piscina.
  • Água parada há dias, com cheiro ou cor estranha.
  • Água de vaso de flor cortada, que já começou a apodrecer.

Quando a dúvida é sobre a água que sobrou de outra coisa da casa, eu pergunto se ela tem sal, sabão, produto ou resto de comida. Se tiver qualquer um dos quatro, ela vai para o ralo.

Perguntas frequentes

Água da torneira estraga a planta?

Nos vasos de casa, não. Ela deixa um pouco de mineral na terra a cada rega, e isso se resolve regando até a água sair pelo furo e lavando a terra quando aparecer crosta.

Precisa deixar a água descansar antes de regar?

Não é obrigatório. Deixar de um dia para o outro tira o cheiro de cloro, e eu faço por praticidade de horário, mas nunca vi diferença nas folhas.

Posso regar com a água do ar-condicionado?

Pode, nas plantas de dentro de casa. Descarte a água dos dias de limpeza do aparelho e a que sair turva ou com cheiro.

Água da chuva é melhor para as plantas?

Ela tem menos mineral e ajuda a lavar a terra com crosta. Jogue fora a dos primeiros minutos, guarde com tampa e use em poucos dias.

Água gelada da geladeira pode ser usada na rega?

Melhor esperar ela chegar à temperatura da casa, principalmente em dia quente e em folhagem.

Se o seu vaso de barro já tem borda branca, comece por ele hoje: leve ao tanque, deixe a água correr até sair clara e, na próxima chuva, separe um balde tampado para as lavagens seguintes.