Potinho de adubo granulado com colherinha de medida ao lado de um vaso de jiboia na varanda

Adubo NPK em vaso: o que os três números querem dizer

Os três números do adubo NPK mostram quanto o produto tem de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), sempre nessa ordem e em porcentagem do peso. Num saco de 10-10-10, os três aparecem na mesma quantidade. Num de 4-14-8, o fósforo é o mais alto e o nitrogênio fica bem abaixo.

Para vaso de apartamento, a leitura prática cabe numa frase: número da frente alto puxa folha, número do meio alto ajuda flor e fruto, e o equilibrado serve de base para quase tudo. O cuidado maior está na quantidade, porque o vaso tem pouca terra e qualquer excesso fica preso lá dentro.

Eu demorei a entender isso. Comprei meu primeiro potinho de granulado na floricultura do bairro achando que adubo químico era só um húmus mais forte, e a primeira planta que recebeu os grãos ficou com as bordas marrons em poucos dias.

O que cada letra faz na planta

Cada um dos três elementos tem um papel diferente. Saber qual é qual já resolve boa parte da dúvida na hora de escolher o saco.

  • N, nitrogênio: ligado ao crescimento das folhas e à cor verde. Planta de folha, como jiboia e cebolinha, consome bastante.
  • P, fósforo: ligado à raiz, à flor e ao fruto. É o número que sobe nos adubos vendidos para planta florida e para horta de fruto.
  • K, potássio: ajuda a planta como um todo a ficar firme e participa da formação do fruto.

Em alguns rótulos o P e o K aparecem escritos como P2O5 e K2O. É só o jeito técnico de registrar a mesma coisa, e para quem cuida de vaso não muda nada na escolha.

Os números também não somam 100. O que sobra no saco é material que dá forma ao grão e outros componentes menores, por isso um 10-10-10 tem só 30% dos três juntos.

Qual combinação serve para cada vaso da casa

Não precisa ter um saco para cada planta. Com um equilibrado e, se houver planta de fruto, um com o número do meio mais alto, dá para cobrir a casa toda. A tabela mostra como eu penso cada grupo.

Grupo de plantas O que interessa O que procuro no rótulo Cuidado
Folhagens (jiboia, samambaia, zamioculca) Folha nova e verde Equilibrado, tipo 10-10-10 Intervalo longo; a zamioculca quase não precisa
Temperos de folha (manjericão, salsinha, cebolinha) Folha para a panela Prefiro húmus; se usar NPK, só o equilibrado Seguir o prazo do rótulo antes de colher, quando houver
Planta de flor (lírio-da-paz, antúrio) Flor Número do meio mais alto, tipo 4-14-8 Só funciona se a luz já estiver boa
Planta de fruto (tomate-cereja, pimenta) Flor e fruto Equilibrado no começo, 4-14-8 depois da primeira flor Vaso grande aguenta mais que vasinho
Suculentas Pouco crescimento Equilibrado, em quantidade bem menor Muitas vivem bem sem adubo nenhum

A linha da planta de flor engana muita gente. Um lírio-da-paz num canto escuro não vai florir com 4-14-8. Primeiro vem a luz, depois o adubo. No meu caso, a flor só voltou depois que o vaso mudou de lugar.

Por que a dose da embalagem pede atenção no vaso

Muita embalagem de granulado traz a medida em gramas por metro quadrado ou por cova de jardim. No canteiro, a chuva lava o excesso e a raiz tem terra para todo lado. No vaso de 20 cm, tudo o que sobra fica ali, e o adubo que não foi usado vira sal acumulado na terra.

A regra que sigo hoje é simples. Se o rótulo traz a dose para vaso, uso essa e não arredondo para cima. Se só traz a dose para canteiro, não tento converter de cabeça: procuro outro produto que fale de vaso ou pergunto na floricultura qual tem essa indicação.

Aqui em Recife, com calor quase o ano todo, a planta de varanda cresce rápido, e dá vontade de adubar mais. Já os vasos de dentro de casa, com menos luz, usam pouco do que recebem. Por isso adubo as folhagens da sala com bem menos frequência que os vasos de fora.

Como aplicar o granulado sem queimar a raiz

O erro que cometi com a jiboia de três ramos foi juntar tudo de uma vez: terra seca, grãos encostados no caule e nenhuma rega depois. Quando a água chegou, dissolveu os grãos bem em cima da raiz mais fina. Hoje faço assim:

  1. Regue na véspera. Terra úmida espalha o adubo devagar. Terra seca recebe tudo concentrado no primeiro gole de água.
  2. Meça com a colherinha da embalagem, nunca com colher de cozinha. A de sopa cheia que usei na jiboia era muito mais do que o rótulo pedia.
  3. Espalhe perto da borda do vaso, a uns dois dedos do caule, em volta. A raiz que absorve fica espalhada pela terra, e o caule não precisa de adubo encostado nele.
  4. Misture de leve com um garfo só na camada de cima, sem cavar fundo para não cortar raiz.
  5. Regue devagar até sair um pouco de água pelo furo, para o grão começar a dissolver por igual.
  6. Anote a data no palito espetado no vaso. Sem isso, eu perdia a conta e adubava de novo antes da hora.

Uma coisa que só percebi depois: o granulado depende da rega para dissolver. Pus um pouco na zamioculca, que eu rego a cada três semanas, e os grãos ficaram inteiros em cima da terra por muito tempo. Para planta que quase não recebe água, o granulado faz pouco sentido.

Sinais de que o vaso recebeu adubo demais

O excesso aparece primeiro na terra e nas pontas das folhas. Fico de olho nestes sinais nas semanas seguintes:

  • crosta branca e dura na borda da terra ou nas paredes do vaso de barro, igual à que descrevi no texto sobre mofo branco na terra do vaso;
  • ponta e borda das folhas marrons e secas, mesmo com rega em dia, uma das causas comparadas em pontas das folhas secas;
  • folha murcha com a terra molhada logo depois de adubar;
  • grãos velhos acumulados em cima da terra.

Quando vejo isso, paro de adubar e lavo a terra no tanque: passo bastante água devagar pelo vaso, deixo escorrer e repito umas três vezes. Foi o que salvou a jiboia. As folhas que já tinham marcado não voltaram, mas as novas saíram sem mancha.

NPK ou húmus: o que eu uso hoje em cada vaso

Nos temperos, continuo com o húmus de minhoca uma vez por mês. É difícil errar a mão com ele, a folha vai direto para a panela e ele ainda deixa a terra mais solta. Os erros que cometi com casca de banana e borra de café estão no texto sobre adubo caseiro em vaso.

O NPK equilibrado ficou para as folhagens da sala, em intervalo longo e só na época em que elas soltam folha nova. Um potinho pequeno dura muito tempo, não tem cheiro e não junta mosquinha, o que conta bastante dentro de apartamento.

O 4-14-8 entra só no balde do tomateiro, depois da primeira flor, como contei no passo a passo do tomate-cereja em vaso.

O húmus melhora a terra aos poucos e alimenta pouco de cada vez. O granulado alimenta mais rápido e não faz nada pela terra. Para quem está começando com poucos vasos, eu começaria pelo húmus e só compraria NPK quando tivesse uma planta de fruto ou uma folhagem grande parada mesmo com boa luz.

Perguntas frequentes

O que significa NPK no adubo?

São as letras de nitrogênio, fósforo e potássio. Os números ao lado mostram a porcentagem de cada um no produto, sempre nessa ordem.

Adubo 10-10-10 serve para qualquer planta?

Serve de base para a maioria das plantas de vaso, desde que na dose para vaso. Planta de flor e de fruto costuma render mais com o número do meio mais alto.

Qual a diferença entre 10-10-10 e 4-14-8?

O 10-10-10 tem os três elementos na mesma quantidade. O 4-14-8 tem mais fósforo e pouco nitrogênio, e é o que se usa quando a planta já está na fase de flor e fruto.

Adubo químico queima a planta do vaso?

Queima quando a dose passa do ponto, quando o grão fica encostado no caule ou quando cai em terra seca. Com terra úmida, medida certa e rega depois, o risco cai bastante.

Posso usar NPK nos temperos que vou comer?

Pode, desde que siga o rótulo, inclusive o prazo para colher quando ele existir. Nos meus temperos eu prefiro o húmus, que é mais difícil de exagerar.

Antes de comprar qualquer saco, pegue o rótulo na floricultura e procure a dose para vaso. Se ela não estiver lá, deixe na prateleira e leve outro.