O manjericão de mercado morre rápido por três motivos que costumam vir juntos: são muitos pés espremidos num vasinho de plástico, ele vai para um canto sem sol direto e recebe água demais. Eu cometi os três, um em cada tentativa, e só o quarto pé passou do primeiro mês.
O que salvou o quarto foi desmanchar o vasinho, dar um vaso de barro com furo, deixar na beirada da varanda e podar a ponta antes de ele espigar. Conto cada tentativa porque o sinal que a planta dá em cada erro é diferente, e reconhecer o sinal cedo poupa a muda.
Primeira tentativa: o vasinho do mercado do jeito que veio
Comprei o manjericão no corredor de verduras, num vasinho de plástico de uns 10 cm, e coloquei no parapeito da janela da cozinha. Achei que era uma planta só. Quando fui tirar do vaso, bem depois, contei uns doze pés finos brigando pelo mesmo punhado de terra.
Eu regava um copo por dia. Em três semanas, os pés tombaram para fora do vaso, as folhas de baixo caíram e as de cima ficaram moles. A raiz tinha dado voltas na parede do vasinho e não havia terra para segurar água nenhuma: o copo entrava e saía pelo furo quase na hora.
Aquele vasinho é um maço de mudas vendido para durar alguns dias na cozinha. Para viver mais, ele precisa ser dividido.
Segunda tentativa: vaso maior, mas no canto errado
No segundo, aprendi metade da lição. Passei o torrão inteiro, com todos os pés juntos, para um vaso de plástico de 15 cm e coloquei no aparador da sala, que ficava bonito com o verde.
Em duas semanas ele começou a esticar para o lado da janela. O caule ficou fino, os pares de folha foram se afastando e as folhas novas saíam pequenas e claras. Em umas cinco semanas sobraram talos com um tufo na ponta. A sala aqui de casa é clara, mas não recebe sol direto, e manjericão vive de sol. Explico como medir a luz de cada canto em plantas para apartamento com pouca luz: o aparador da sala é lugar de jiboia, não de tempero.
Terceira tentativa: sol certo, água demais
O terceiro foi para a varanda, no mesmo vaso de plástico, ainda com os pés todos juntos. O sol resolveu o problema de esticar. Aí entrou o erro que mais me envergonha: com medo de ele secar no calor de Recife, eu regava de manhã e de noite, e o pratinho vivia cheio.
As folhas murchavam no meio da tarde mesmo com a terra molhada. Eu lia aquilo como sede e regava mais. Quando finalmente tirei a planta do vaso, a terra cheirava a coisa parada e a raiz estava escura e mole, sem nenhuma ponta branca. Não sobrou o que salvar.
Hoje sei que murchar com a terra encharcada é falta de ar na raiz. O jeito de decidir a rega pela terra, e não pelo relógio, está em como saber a hora de regar.
O que mudou no quarto pé, do vasinho ao lugar
Comprei outro vasinho igual, no mesmo mercado. A diferença foi o que fiz nas primeiras horas.
- Desmanchei o torrão. Deixei o vasinho de molho numa bacia com água por uns dez minutos, até a terra amolecer, e separei os pés com os dedos em grupinhos de dois ou três. Saíram quatro grupinhos.
- Um grupinho por vaso. O melhor foi para um vaso de barro de 25 cm com furo. Os outros três foram para potes de sorvete furados com prego quente; dois vingaram.
- Fundo e terra. No fundo do barro pus o caco de um vaso rachado por cima do furo, do jeito que mostro em o que colocar no fundo do vaso. A terra foi a mistura de tempero: 2 potes de sorvete de substrato, 1 de terra vegetal e meio de húmus.
- Plantei na mesma altura. O caule ficou com a mesma parte enterrada que tinha no vasinho, e reguei até a água sair pelo furo.
- Dois dias na sombra. Recém-dividido, ele murchou um pouco. Deixei dois dias no canto perto da porta da varanda antes de ir para a beirada.
- Beirada com sol da manhã. Desde então ele fica na frente, onde o sol bate das 7h até umas 10h30.
A rega passou a seguir o dedo: quando os dois primeiros dedos de terra estão secos, ele recebe água até escorrer, cedo, antes de eu sair. No verão isso acontece quase todo dia; em semana nublada, a cada dois ou três dias. O pratinho fica vazio.
A poda da ponta e as flores
O manjericão sem poda sobe numa haste só e espiga, ou seja, solta um cacho de florzinhas na ponta. A partir daí as folhas ficam menores e o caule endurece.
Onde cortar
Olhe um ramo de cima para baixo. As folhas saem em pares, e logo acima de cada par há dois brotinhos esperando. Corte o caule logo acima de um par, com tesoura limpa. Os dois brotinhos crescem e aquele ramo vira dois.
Fiz o primeiro corte quando o pé tinha uns quatro pares de folha, umas três semanas depois do plantio. Tirei só os dois pares de cima. Duas semanas depois, onde havia um ramo havia dois, e a planta começou a ficar baixa e cheia.
Quanto colher de cada vez
Colho sempre pela ponta dos ramos, nunca arrancando folha solta da base do caule. Não tiro mais de um terço da planta numa semana. Quando preciso de muito para um molho, colho dos potes de sorvete também e deixo o vaso grande descansar.
O cacho de flor
Quando vejo o cacho começando, corto o ramo uns dois pares abaixo dele. Se escapa e abre, ainda dá para usar as folhas, mas o ramo perde força. Num mês de muito sol, esqueci de olhar por uma semana e três ramos floriram juntos.
As quatro tentativas lado a lado
| Tentativa | Vaso | Lugar | Rega | O que a planta mostrou |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | Vasinho do mercado, 10 cm, uns doze pés | Parapeito da cozinha | Um copo por dia | Pés tombados, folhas de baixo caindo, raiz enovelada |
| 2ª | Plástico de 15 cm, pés todos juntos | Aparador da sala, sem sol direto | Dia sim, dia não | Caule fino esticado para a janela, folhas pequenas e claras |
| 3ª | Plástico de 15 cm, pés todos juntos, pratinho cheio | Varanda | Manhã e noite | Murcho com terra molhada, raiz escura e mole |
| 4ª | Barro de 25 cm, um grupinho de dois ou três pés | Beirada da varanda, sol das 7h às 10h30 | Quando dois dedos de terra secam | Baixo e cheio depois da primeira poda |
O que eu faria diferente desde o primeiro vasinho
Duas coisas. Dividiria o vasinho no mesmo dia da compra, antes de qualquer outra providência. E começaria a podar mais cedo, assim que a muda firmasse no vaso novo, sem esperar ela parecer grande o bastante. Quem está montando a primeira horta pode juntar isso com os três vasos que sugiro em horta em apartamento com três vasos.
Uma coisa eu não mudaria: o vaso de barro. Na beirada com sol, ele seca mais rápido que o plástico e me obriga a olhar a terra, e o manjericão aceita bem esse ritmo.
Perguntas frequentes
Por que o manjericão do mercado morre rápido?
Porque vem com muitos pés num vasinho pequeno, com pouca terra para tanta raiz. Sem dividir e passar para vasos maiores, ele seca ou apodrece em poucas semanas, ainda mais longe do sol.
Manjericão gosta de sol direto?
Gosta. O meu recebe umas três horas e meia de sol da manhã e vai bem. No canto claro da sala, sem sol direto, ele esticou e perdeu folha.
Preciso tirar as flores do manjericão?
Se a ideia é colher folha, sim. Corte o ramo uns dois pares abaixo do cacho assim que ele aparecer.
Como colher sem enfraquecer a planta?
Corte a ponta do ramo logo acima de um par de folhas e não tire mais de um terço da planta por semana.
Qual tamanho de vaso o manjericão pede?
Para um grupinho de dois ou três pés, uso vaso de 25 cm de barro com furo. Pote de sorvete furado também serve, mas seca mais rápido e pede mais atenção na rega.
Se você tem um vasinho de manjericão do mercado em casa agora, vire ele de lado com cuidado e olhe quantos pés tem ali. Se passar de três, deixe o torrão de molho numa bacia e divida hoje mesmo.
